Grupos políticos alinhados às empresas de inteligência artificial OpenAI e Anthropic investiram US$ 55,7 milhões em publicidade e contato com eleitores nas eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos. A maior parte dos recursos, somando US$ 52,6 milhões, concentrou-se em disputas primárias dentro de distritos eleitorais considerados seguros. Os quatro principais super PACs (comitês de ação política independentes) do setor destinaram US$ 28 milhões para apoiar 21 candidatos democratas e quase US$ 19 milhões para impulsionar 30 candidatos republicanos.1

Os repasses foram administrados principalmente pelo Leading the Future, alinhado à OpenAI, e pelo Public First Action, ligado à Anthropic, por meio de estruturas distintas para republicanos e democratas. Conforme análise do The New York Times em 95 anúncios veiculados por esses comitês, nenhum mencionava centros de dados (data centers) e apenas sete citavam diretamente inteligência artificial ou companhias da área. Em um anúncio em prol do deputado republicano Barry Moore, do Alabama, foi utilizado o lema 'CAMPEÃO DA INOVAÇÃO AMERICANA' sem referências explícitas à tecnologia.1

Outras movimentações envolveram a organização American Mission, que aplicou cerca de US$ 780.000 no apoio à republicana Amanda McKinney na primária pela vaga do deputado Dan Newhouse, em Washington. Já o Jobs and Democracy PAC, ligado à Anthropic, destinou US$ 1,6 milhão para a deputada democrata Valerie Foushee na primária da Carolina do Norte, e a organização Think Big colocou cerca de US$ 1,1 milhão na campanha de Ben McAdams contra Nate Blouin nas primárias democratas em Utah. Em campanhas no Texas, comitês mantidos pela Anthropic veicularam propagandas promovendo posições opostas a respeito de imigração entre disputas republicanas e democratas.1